SOBRE A REUNIÃO NO VILAS DE PORTUGAL

Mesa dos participantes na reunião no Vilas de Portugal em 20/11

Relato escrito por Lígia Gonçalves De Lócco, moradora de Gurarulhos e graduada em Gestão Ambiental:

Depois de participar da Marcha pela Consciência Negra em Guarulhos, fui para a reunião no Vilas de Portugal convocada com o objetivo de debater o Trecho Norte do Rodoanel e mobilizar a população para a passeata dia 27 de novembro. O Vilas de Portugal fica na zona norte de São Paulo, muito próximo da divisa entre Guarulhos (Bairro Cabuçu). Havia umas 100 lideranças participando da reunião.

Para dar início às discussões, Paulo (presidente do Vilas de Portugal e formado em Gestão Ambiental pela FMU) apresentou algumas fotos do EIA que retratavam o traçado do Rodoanel, em seguida apresentou um mapa das ilhas de calor em São Paulo e Guarulhos, até a Cantareira para enfatizar a importância na regulação da temperatura que a Cantareira exerce.Por fim o Paulo apresentou algumas fotos que ele e Jaime Menezes(comunidade tres cruzes ) tiraram recentemente de alguns locais onde o Rodoanel vai passar. Inclusive algumas fotos mostravam estacas da Dersa demarcando o local, sendo que o CONSEMA ainda nem aprovou o traçado. As fotos demonstraram o que já sabíamos, o rodoanel passará por cima e destruirá muitas nascentes, corpos d’água, flora e fauna da Cantareira, casas e etc.

Uma das fotos mais interessantes ele tirou de uma região onde onde o Trecho Norte passrá e comparou com uma foto tirada de uma região que tinha as mesmas características em São Bernando do Campo durante a construção do trecho sul do rodoanel, mostrando o tamanho da devastação no local.

A advogada, que voluntariamente está participando desta batalha, Dra. Cristina disse que está juntando documentos para pedir que o Ministério Público entre com uma ação para adiar as audiências públicas e que se tenha mais delas, no trecho leste foram 9 audiências e agora são apenas 3. Ela ressaltou a importância dos movimentos juntarem todos os documentos possíveis sobre os impactos do rodoanel para protocolar junto à mesa da audiência pública.

A representante da ZN na linha (www.znnalinha.com.br) falou do perigo da grande mídia e defendeu sua posição contra o trecho norte do rodoanel. Não é porque dizem que ele vai existir que devemos nos dar por vencidos, a população tem que participar mais.

Dani, do Instituto Chico Mendes no Cabuçu, falou da mobilização no bairro e fez um breve relato da audiência pública realizada quinta-feira (18/11) na Câmara Municipal de Guarulhos. O Pastor Jaime Tatoo, também assessor do vereador Zé Luis que declarou publicamente sua posição contra o Trecho Norte, disse que para a aprovação do Projeto de Lei que cria a Área de Proteção Ambiental Cabuçu-Tanque Grande são necessários 23 votos favoráveis dos 34 existentes, porém até o momento temos 9 (os 8 do PT e 1 do PCdoB). A Dani defende que a população use mais a tribuna livre e acompanhe os vereadores para aprovação deste PL. Ela disse que a aprovação da APA pode ser uma ferramenta contra o atual traçado do Rodoanel.

O Pastor Jaime Tatoo disse que essa semana a prefeitura de Guarulhos lançará uma cartilha sobre sua posição e uma proposta de novo traçado. Margarete, da ONG Projeto Cabuçu de Desenvolvimento Local, contou sua história no bairro e dos serviços ambientais prestados pela vegetação no Cabuçu.
Depois da exposição da mesa, abriu-se para debate.
Bom, para resumir a briga é grande. São as montadoras automobilísticas, empreiteiras e agentes da especulação imobiliária os grandes interessados no Rodoanel. Não será nada fácil.
O Ramos da Associação Paulista de Gestores Ambientais acompanha o trecho sul e disse que uma pessoa que mora a 300 metros de distancia do rodoanel, quando passa um caminhão lá parece que está passando dentro da casa dela. Aí a Dersa manda plantar eucalipto para abafar o som!
Ele disse que muitas pessoas morrem hoje por causa desta escolha do poder público pelas vias para carros e caminhões e sugeriu que seja colocada uma bandeira preta em cima de cada casa que morrer uma pessoa por problemas respiratórios ao longo do Rodoanel.

One Response to SOBRE A REUNIÃO NO VILAS DE PORTUGAL

  1. Eduardo Britto disse:

    A essa altura do desenvolvimento HUMANO, que compreende a busca da sustentabilidade como compensação à destruição que ele mesmo permite, não se aceita que uma obra desse porte, com esse impacto e custo, seja feita sem ampla e amplíssima discussão. Parabéns aos que se incomodas e doam de seu tempo para que a discussão aconteça.

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